Dia 1
Assim que começamos a aproximar-nos do arquipélago das Phi Phi, começa alguma agitação no barco. Os passageiros dirigem-se para exterior, quais crianças curiosas, quando visitam pela primeira vez um parque de diversões. Os penhascos rochosos e as pequenas baías nas ilhas são motivos mais que suficientes para fotografar. Á chegada, assim que desembarcamos, temos de pagar uma taxa de limpeza na ilha de 20 Baths (0,50€). No cais, vários rapazes levantam placas com o nome dos hotéis, para encontraram os seus hóspedes. No meio de tanta gente lá descobrimos o rapaz do nosso hotel. Pede-nos para esperarmos um pouco pois ainda tem outros hóspedes. Estes acabam por não aparecer e o rapaz foi buscar um atrelado para colocar as nossas mochilas. Seguimos atrás do rapaz, que empurra o atrelado pelas estreitas ruas da ilha. Muito movimento e diversão por todo o lado. Ainda levamos cerca de 15 minutos a chegar ao hotel, numa zona mais afastada do centro, longe da confusão. Mesmo na chegada ao hotel, temos uma subida íngreme e ai damos uma mão ao rapaz para conseguir levar o carrinho até lá acima. Não que ele não conseguisse sozinho, mas acabamos por nos compadecer do seu esforço.
Depois da piscina, descemos pelo caminho de pedra até às rochas que dão acesso ao mar. Temos de ter cuidado para não nos aleijarmos. Assim que passamos as rochas e entramos no mar é uma sensação de alívio. Não só por termos superado um obstáculo, mas também porque a água está morna. Está mais quente do que a da piscina. O problema é para sair mais tarde… Mas saímos e a seguir fomos fazer um passeio pela praia na areia. A parte central da ilha tem duas baías. Nós estamos na baía a norte e percorremos a pé toda a praia até ao ponto mais ocidental. Ai ficam os “bairros” onde moram os trabalhadores, o pessoal que faz andar toda esta indústria. Moram em barracas de lata cobertas com chapas de zinco. Junto à praia, um grupo de jovens toca guitarra e cantam umas músicas ao ritmos de umas cervejas. Acenam-nos amigavelmente e convidam-nos para nos juntarmos. Agradecemos o gesto simpaticamente e continuamos o passeio.
Voltamos ao hotel para descansar. Á noite o ambiente calmo das Phi Phi transforma-se. Os restaurantes e bares na praia dão festas de arromba e cada um deles tem o seu sistema de som para ver quem consegue fazer mais barulho. Uns com jogos de praia, outros com raves, jogos de luz, seja qual for o entretimento, envolve sempre bebida, muita bebida. O nosso hotel, apesar de estar afastado do centro, não se livra do barulho. Isto dura para lá das 04:00 am. Tenho quase a certeza que muita desta gente só deve sair à rua durante a noite. Enfim, lá nos teremos de ajustar.
Dia 2
Tomamos o pequeno-almoço na esplanada da piscina com vista para a baía. O tempo, hoje, parece estar mais agradável e o sol reflete na cor da água a sua simpatia. Começamos este segundo dia nas ilhas Phi Phi com uns banhos na praia. Apesar da conturbada noite, por esta altura decidimos ficar mais uma noite na ilha. Fomos até ao local onde na noite anterior milhares de pessoas se juntaram num transe coletivo que durou noite dentro. Pela praia encontramos algumas evidências dos eventos anteriores. Uma delas são notas (sim dinheiro) semi-enterrado na areia e até encontramos uma carteira a flutuar à beira mar. Percebemos que também andava um senhor local à cata destas evidências. A carteira tinha um cartão de identificação de um cidadão estrangeiro. Entregamos num dos bares ali perto pois podia ser de algum dos clientes da noite anterior. Pode ser que o dono tenha sorte.
Depois da praia, fomos para a montanha. Subimos por um trilho até ao view point 1, um famoso miradouro de onde se pode avistar as duas baias ao centro da ilha. É sem dúvida uma das vistas mais bonitas que já vimos em toda esta viagem. Aqui está um memorial ao fatídico tsunami de 2004 onde milhares de pessoas perderam a vida. Imagens ilustram o estado da ilha antes e depois do tsunami. Mas mesmo a memória do terror não nos consegue privar da beleza que avistamos aqui de cima!
Para voltar ao centro da ilha decidimos ir por um caminho junto à costa que já me tinham dito ser fantástico. Quando nos aprontamos para sair, a Marisa queixa-se de uma dor na perna. Ainda tentamos andar mais devagar mas a dor cada vez fica mais forte, ao ponto de eu ter de ir procurar alguma ajuda médica no local. Acontece que não há nada aqui deste lado. É preciso levá-la para o hospital que fica no centro. Falo com o dono de um dos barcos que transporta passageiros para o centro para nos apanhar mais à frente, onde a Marisa e a Davina esperavam debaixo de uma árvore. A dor está cada vez mais forte e ela nem se consegue apoiar na perna. Temos alguma dificuldade a colocá-la no barco mas depois de algum engenho lá seguimos. Quando chegamos ao cais, no centro, é outro sarilho para ela sair do barco. Com muita dificuldade conseguimos subir as escadas de acesso. Vou rapidamente procurar um atrelado para poder transportá-la para o hospital. Vejo um monte deles e pergunto a uns rapazes que estão por ali se posso levar um emprestado. A princípio dizem-me que não mas depois de eu lhe explicar que se trata de uma emergência lá acedem. Corro de volta ao cais agora a empurrar o atrelado, tal como o rapaz do hotel no dia em que chegamos. A Marisa continua a contorcer-se com dores. Colocamo-la rapidamente no atrelado com a perna estendida e agora, com a ajuda da Davina, corremos a todo o gás pela ilha.
No hospital é logo atendida por umas enfermeiras que fazem algumas perguntas para tentar diagnosticar o problema. Chegam à conclusão que pode ser derivado de alguma picadela de peixe. Ela não sentiu nada a picar-lhe mas pode ter sido algo muito suave. Lavam-lhe a perna com água doce, colocam uma ligadura apertada e receitam uns comprimidos para aliviar a dor. Dizem que dentro de umas horas a dor passa, caso contrário, temos de voltar.
Agora temos de voltar ao hotel com a Marisa. Para lá chegarmos temos de passar pelo centro da ilha, repleto de gente como sempre. Eu e a Davina empurramos o atrelado pelas estreitas ruas com a Marisa lá dentro de perna estendida para espanto de toda a gente. A Marisa continua com dores e a trepidação do atrelado não ajuda nada. Como referi anteriormente são cerca de 15 minutos do cais ao hotel. O hospital fica um pouco mais longe do que o cais, por isso a viagem é longa e bem mais cansativa. Chegamos ao hotel já exaustos mas ainda temos uma subida para fazer. O que nos vale são uns rapazes do hotel que vinham a passar e nos ajudam a puxar o atrelado até à entrada do hotel. Daí, subo a escadaria do hotel com a Marisa às cavalitas até à receção. A rececionista oferece-nos um refresco e um toalhete para nos limparmos. Depois de descansar alguns minutos levo a Marisa de novo às cavalitas até à nossa vila. Enquanto isso, a Davina foi devolver o atrelado. Parece que a ligadura que lhe colocaram na perna ainda está a fazer pior. Tiramos a ligadura e ela fica a descansar na cama.
Quando a Davina regressa, já a Marisa se está a sentir melhor. A dor já está a aliviar. Enquanto elas ficam no hotel, vou ao centro buscar jantar. Hoje vai ser take away. Compro umas fatias de pizza numa banca não muito longe do hotel. Mais à frente numa barraquinha de birmaneses compro umas chamussas acabadas de fritar. Volto ao hotel onde a Marisa já se começa a sentir melhor. A dor vai desaparecendo e já consegue colocar o pé no chão. Por fim, vamos jantar fora na esplanada da piscina.
Dia 3
Acordamos numa manhã chuvosa. É dia de deixarmos a ilha e voltarmos à parte continental da Tailândia. Vamos até à esplanada e sentamos numa mesa coberta para tomarmos o pequeno almoço. Não muito distante, vemos as gotas da chuva a caírem no mar de Adamão numa simbiose perfeita, alterando os tons claros da cor da água.
Como ainda temos algum tempo até o embarque, vamos dar mais uma volta pelo centro da ilha e fazemos umas compras de última hora. Antes mesmo de embarcarmos, volto com as senhoras à barraquinha dos birmaneses para almoçar-mos. No dia anterior levei as chamussas e eram boas. Para além disso, o casal que nos atende são extremamente simpáticos. Converso um pouco com eles enquanto esperamos o almoço. Dizem-me que vieram da capital Yangoon para aqui tentarem ganhar a vida. Digo-lhe que estive lá à pouco tempo e que gostei muito de Myanmar. Um país muito interessante e cheio de expectativas quanto ao futuro. Dizem-me que um dia pensam voltar, mas para já não se consegue trabalho, por isso vieram para aqui explorar esta tasquinha. Entretanto chega o almoço. Fast food asiático, chamussas e bifes panados de frango. É o que os estrangeiros pegam!
Depois do almoço despedimo-nos dos amigos birmaneses e voltamos ao hotel para ir buscar as mochilas. O serviço de transfer do hotel está incluído à chegada e à partida. Lá vem o rapaz com o atrelado, desta vez debaixo de chuva, para nos trazer as mochilas até ao cais. Ficamos a saber que também ele, como todo o pessoal que trabalha no hotel, são birmaneses. Por fim concluímos que a grande massa de mão-de-obra das ilhas Phi Phi vem de Myanmar, o país vizinho. Que ironia! Um destino tão popular na Tailândia é mantido, na sua maioria, por birmaneses.
Despedimo-nos do rapaz e das Phi Phi e embarcamos para Krabi.